10/06/20


Helena dorme rostinho com rostinho sendo embalada pelo pai e em qualquer posição no meu colo enquanto caminho pela casa. O que é imbatível: mamá número 1 e carinho na testinha número 2. Entram na disputa do terceiro lugar playlist dorme dorme do mundo bita, “shhhhh” e “menininha do pai guriazinha da mãe”. Ela tem as mãos mais lindas e macias do mundo e sempre é tocante quando ela segura o meu dedinho com força. Amo esse ato de segurarmos as nossas mãos, essa micromão. Jà falei que as mãos dela são lindas? Agora ela tá aqui dormindo no meu colo, em cima da almofada de amamentação. É quase sempre assim pós-almoço. Ela mama e dorme no meu colo. Quase sempre fico com ela ali mesmo conversando com o Bernardo, às vezes migramos pra sala, poucas vezes dormi junto, mas acho que vai rolar em breve.
Engraçado que eu não tenho tido sono se eu estou ativa: organizando algo, brincando com ela, agindo. Agora se eu sentar com ela ou fizer algo muito calminho PAH! Ele vem arrebentando. O bom é que posso dormir :) Se ficar muito ruim, posso dar mamá, dar pro Bernardo e dormir por pelo menos duas horas. Ele estando em casa, corona pegando na rua, a gente sem vida social rola demais dormir cedão, ou à tarde. Meio que todo mundo que conheço tá no mesmo barco. O que acontece é que não quero dormir, mesmo perdendo a energia. Parece que o dia não valeu muito e que eu não tô vivendo. Ultimamente é tão assim né? Vivemos dentro de casa, enclausurados, só vendo que mora com a gente.
Estamos há 3 meses isolados, sem nem ir ao supermercado. Ainda dei a sorte de ter a Helena, então tive contato com os meus pais, meus sogros e a equipe médica, consultas da Helena, mas só. Que louco né? 3 meses sem viver nada diferente além de dentro da nossa casa. Eu tô super bem, mas morrendo de vontade de sair, ver gente, passear, voltar a poder ir pro sol. Acho que vou dar ainda mais valor a isso quando tudo acabar. Eu e o Bernardo estamos super bem um com o outro, um total de zero problemas e preocupação quanto a isso.
A coisa mais louca é que, como a gente vive todos os dias quase a mesma coisa (ainda mais depois que a Helena nasceu e nos obrigou a ter uma rotina mais certinha), no mesmo cenário e com as mesmas pessoas, a gente não lembra direito o que aconteceu pela manhã, se foi ontem pu há 3 dias que comemos a lasanha, parece que foi semana passada que fomos pra praia pós-carnaval, eu ainda com o bucho grande. A Helena já vai fazer 2 meses daqui 4 dias e o tempo passou voando, ou mas não parece porque a última vez que vivemos algo diferente foi em março! Nossa referência tá láááá atrás. Essa é a loucura: o tempo tá passando super rápido, já estamos no meio do ano, mas não parece que passou tão rápido assim.
Eu tô bem animada que o comércio vai reabrir dia 15. A gente não vai sair de casa ainda que nem antes, mas pensamos em ir pra praia novamente, ir aos parques ou calçadão quando não tiver muita gente, ir nos cafés abertos bem cedinho (talvez) e visitar os amigos. Poder voltar a consumir algumas coisas de estabelecimentos que estavam fechados (COMIDA TIPO COXINHA SIMONE BARROS E GREENMIX. Temos alguém querendo entrar na linha, mas nem tanto), e voltar ter um pouco de vida. Dá um super medo, dá medo de tudo voltar como era, de não estar fazendo bem pro coletivo, dos dados estarem mascarados e piorarmos a situação, mas acho que vou confiar. Vamos chamar a Juliana para vir 3x na semana, em horário diferente (bem cedinho saindo bem cedinho, com todos os cuidados pra ela e pra nós, zero interação), mas tô com vergonha disso e não vou contar para ninguém. Mas realmente, se não for quando o gráfico mostra o número de casos caindo, hospitais sem espera, só será quando tiver uma cura – e isso vai demorar.
Tenho sonhado com duas coisas que tem preenchido minha mente: a nossa casa dos sonhos no Poço ou morar em Portugal. A segunda opção é só se a gente ganhasse na mega-sena. Pedi a Deus? Pedi. Queria muito morar num local mais tranquilo politicamente, seguro e perto de lugares que podemos visitar com poucas horas de voo, com um clima ótimo, uma cultura legal e muita gente parecida com a gente. Isso só seria possível acertando 6 números na mega, pro Bernardo pedir pra largar o trabalho como juiz tem que ser um prêmio grande, pra morarmos lá maior ainda, pra poder levar a família toda e sustentar todo mundo. Sonhos. Fiquei pensando no apartamento lindão, antigo, com interior moderno, perto ou em Saldanha (não sei onde tem esses apês lindões lá). Eu levando a Helena a pé pra escola, depois na volta passando na padaria, na pracinha e na sorveteria, tudo andando. No inverno ela com um casaco deixando ela bem bolinha, eu bem maravilhosa com looks de casaco e vestido e bota. A gente indo pra neve, ligando lareira. Opa! Vontade de passar uns dias no sul da França: pá! Eu nem sei se ficaria viajando o mundo, eu ia amar esse mundo. Talvez a gente fosse porque somos curiosos, mas acho que iríamos com muita calma, estudaríamos cada local antes – tipo curso mesmo – pra poder ser profunda a experiência. Eu iria continuar estudando arte, talvez abrisse uma galeria com móveis e coisas do mundo todo! Bernardo iria fazer algo pró-bono, eu acho, ou dar aula, não sei. Ou nada disso hehehehe. Seríamos milionários que andam a pé pela rua e continuam sendo os mesmos, porém sem preocupação, dando presente pra uma galera, ficando o verão no Brasil visitando os amigos, comprando passagem pra eles irem nos ver, viajando o mundo com calma, tendo todo o tempo do mundo pra nossa pequena.
O segundo sonho que também exige bastante dinheiro, mas seria mais possível, era nossa casa no Poço. Só que a gente não vai investir numa casa, então vira sonho também. Fico imaginando a casa mais linda, eu meses estudando pra juntar tudo que amo em casas na nossa casa, sala e cozinha amplas e integradas, ambientes com luz natural, pé direito enorme e duplo na sala, muito vidro, móveis super modernos, cantinho zen, aconchego, decoração com vasos e quadros no chão, poltronas que a gente não usaria mas são lindas, cozinha bem equipada, piscina, churrasqueira, cachorro, quartos no segundo andar, espaçosos, mas não gigantes. A ideia é ficar todo mundo juntinho lá embaixo, e não nos quartos. Nada de TV o closed imenso, nem mil armários pra guardar mil tralhas. Mais pro minimalista nesse sentido. Talvez não minimalista, mas tudo num tamanho normal, padrão, sem exageros. Neutros com cor, madeira, concreto, vigas, vidro, plantas, muitas plantas. Ai ai sonhos, podem se realizar <3

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