14/05/20
um
mês da muneca!! Muni, Peack, Helena. Ela já tá tão gordinha e
grandinha. Passou tão rápido! Tô chocada que ela já fez um mês.
Um
mês que senti a maior dor do mundo, mas segurei firme pra ela vir da
forma mais natural possível. Aguentei por que queria que ela
nascesse como se deve ser, do meu corpo, da minha vontade, do nosso
esforço. O parto me deixou tensa por alguns dias, com pequenos
traumas devido ao cansaço e dor extrema. Me fez repensar algumas
coisas, mas o que quero interiorizar é que eu fui muito forte, e se
eu aguento tudo o que eu aguentei nesse parto, é por que eu sou
forte para aguentar MUITA coisa. Sou persistente, resiliente, me
entrego, consigo ficar sem ter o controle, minimizar a ansiedade, ir
atrás do que é importante e não desistir, fazer o que estiver ao
meu alcance para que dê certo. Tudo isso é muito maior do que a dor
que senti, o cansaço que passei. E depois de tudo isso, terminamos
com uma cesária. Eu podia ficar desesperada, triste, frustrada,
afinal: tudo isso para ir para uma cesária? Mas mais uma vez, o que
penso é que eu fiz TUDO o que estava ao meu alcance, tudo o que
podia ser feito, aguentei tudo e continuei agindo para dar certo.
Quando não deu mais, eu fiz o que tinha que ser feito para tudo
terminar bem.
E
que alegria que senti às 7:12 da manhã! Eu chorei de alívio. Eu
chorei porque a paz me invadiu. Chorei porque enfim estava vendo a
minha filhinha e tudo tinha terminado/começado bem: ela estava no
meu colo, saudável, tudo tinha valido a pena. Depois sorri, chamei
ela de cabeludinha, fiz piadinhas, apostei o peso, deixei o pai ficar
com ela, achei estranho/diferente demais ela sugando meu peito, achei
uma delícia o cheiro da cabeça (e chocada como algo que estava
dentro de mim podia ser cheiroso), feliz pelo Bernardo achar ela
parecida comigo. Estava grata por todas aquelas mulheres na sala de
parto comigo. Todas num ritmo único, alegres por tudo ter terminado
bem, me olhando com aqueles olhos orgulhosos, profissionais
incríveis! Elas potencializaram a minha força. Queria abraçar a
Helena, queria abraçar o Bernardo, queria ir pro quarto e ficar
aninhada com eles. Queria muito dormir.
Fomos
pro quarto, Bernardo chorou ao nos ver bem, dormindo uma do ladinho
da outra. Eu estava nas nuvens, foram dois dias no hospital e uma paz
me invadiu. Um alívio, uma leveza, uma alegria genuína, uma doçura
no ar. Nosso sol nasceu há um mês.
Nesse
mesmo mês, um mix de sentimento me invadiu. Queria ficar feliz de
novo, como naqueles dias delícia. Só que o baby blues chegou, me
fazendo esquecer que sou forte, me trazendo uma sentimento de
tristeza, de medo do cansaço, do medo de ela não dormir bem, do
medo dela adoecer, ter cólicas, e isso transformar a minha vida que
era maravilhosa num inferno. Eu quase não tava enxergando a
menininha luz na minha frente, aquele bebê tão calmo, tão
tranquilo, tão doce. E que ela é um bebê e cabe a mim ter empatia
a esse ser que está ainda se transformando, aprendendo, nascendo. O
baby blues é chato, fez eu me sentir fraca, sozinha, com uns medos e
egoísmos. Queria minha vida de volta. Queria chegar em casa, deitar
no sofá e dormir, acordar, sair, voltar, fazer o que eu quisesse na
hora que eu quisesse. Agora vejo que isso é tão pouco. Claro que
todos merecem um tempo pra si, e que isso deve ser feito todos os
dias, várias vezes ao dia. Mas não é agora o momento. O momento
agora é de empatia ao serzinho que depende de mim, que está
começando a vida. O momento agora é de fusão e construção desse
amor, dessa relação linda que vamos construir juntas.
(neném
acordou. Beijo!)
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