25/05/20
Hoje
eu leio os “mantras” do dia 17 e penso: como tudo mudou e isso
não faz mais sentido. Sabe porquê? Por que o amor me invadiu.
E
ele foi construído, estruturado e fortificado, num processo
importante, um pouco confuso e – de certa forma – doloroso, mas
não menos belo e importante.
Ele
veio de fininho, num dia em que coloquei em cheque a minha
maternidade. Nesse dia tive saudade de mim antes dela. Vi uma foto
minha e do Bernardo despreocupados, viajando. Pensei que queria
aquilo de novo. Pensei que acho chata a vida de várias mães ao meu
redor, pensei que eu amava ficar com meus sobrinhos, mas quando
chegava em casa eu amava mais ainda. Fiquei triste e confusa,
pensando em como eu poderia fazer diferente e tornar a vida mais
divertida com a Helena. Conversei muito com o Bernardo e com Paula e
Carol. Foi o primeiro dia que estivemos sozinhos com a Helena, ainda
estava triste com a ida dos meus pais, puerpério ainda pegando.
Depois de muito pensar, refleti que eu estava muito desconectada da
Helena – culpa de ninguém, apenas uma consequência de muitos
braços e muito amor pra cuidar dela – mas também refleti que há
tempos eu estava desconectada de mim e do que era importante pra mim:
minha religião, meu trabalho, meus amigos, minha alegria. Vivia meio
na preguiça e no automático, me boicotando muitas vezes. Como seria
rápido me conectar a minha pequena se eu estava desconectada de mim?
Musiquinha
rolando na sala à meia luz, 19h, comecei a dançar com a minha
pequena. Olhando pra ela, a abraçando e dengando, vendo aquela
carinha linda, começamos a nos embalar na música e nos pensamentos.
Como assim uma tarde de sono, uma viagem, ou qualquer outra coisa que
eu fazia antes era mais importante do que aquele pacotinho que é uma
fonte de amor e alegria. O que é mais importante que um ser humano –
que é meu – estar se formando, se moldando, aprendendo a crescer e
a viver. Ainda mais a Helena, esse bebê cheio de luz, de paz, de
dengo, amor, delicadeza, tranquilidade e leveza. Então ele chegou e
me invadiu. Chorei, mas chorei suave. Chorei o espaço que ainda
estava para ser preenchido, porque percebi que já a amava, mas que
ainda evitava olhar pra esse amor e me entregar. Me joguei! A abracei
e, no nosso embalo, me entreguei pra esse amor.
Isso
tudo foi na quinta, dia 21, primeiro dia de nós três. Meus pais
aqui foram perfeitos, mas agora que foram embora, percebo que foi o
tempo que precisava ser. Consegui perceber que conseguimos fazer tudo
com ela, e ainda sorrir e brincar. Aliás, ficar grudadinho nela é a
coisa mais fácil do mundo. Conseguimos ter tempo pra gente? Pouco.
Mas é um tempo tão curto que a temos tão pequenininha, que quem
precisa ter tempo pra si quando há todo um mundo sendo criado nos
meus braços. E esse pouco tempo pra gente, mesmo ela estando no
colo, foi ótimo! Pesquisei coisas de moda, fizemos refeições,
limpamos a casa, vimos filmes e jogamos videogame com crises de riso.
Aliás, azar o tempo comigo mesma. Já vivi 31 anos comigo e viverei
outros tantos. Ela neném passa rápido e só acontece uma vez.
Minha
maternidade vai ser maravilhosa e eu vou ser a melhor mãe para a
Helena. A mãe que a Helena precisa ter.
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